Prezado(a)s amigo(a)s e investidore(a)s,
Em fevereiro, pela primeira vez desde junho do ano passado, o real teve um desempenho significativamente melhor que o das outras moedas que acompanhamos, acumulando em 2026 quase 7% de valorização contra o dólar americano. Parte dessa diferenciação parece ter vindo de uma onda de opinião pública favorável à oposição, com a popularidade do governo, em diversas pesquisas, devolvendo os ganhos conquistados desde o “tarifaço” comemorado por Eduardo Bolsonaro e companhia.
Acreditamos que, ao longo de 2026, a popularidade do governo se recuperará, seguindo o padrão de anos eleitorais e alimentada pela máquina de propaganda do governo e pelo desenrolar de várias iniciativas de apelo popular que estão sendo implementadas. Assim, entendemos a conjuntural atual mais como o pico da onda descrita acima do que como o início de uma tendência que levará à mais clareza sobre o resultado das eleições de outubro. Seguimos tratando a corrida eleitoral como um empate técnico, sem claras assimetrias refletidas nos preços de mercado.
Com isso, a precificação de cortes de juros embutida nos contratos futuros parece ter pouco mais para avançar – também porque os dados de atividade econômica parecem indicar uma recuperação a partir dos últimos meses de 2025. Chama atenção o volume das novas concessões de crédito, crescendo a taxas de duplo dígito com relação ao mesmo período do ano anterior, puxadas pela aceleração da adesão ao programa Crédito do Trabalhador.
No cenário global, a operação conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã, no último dia do mês, deve colocar outros temas em segundo plano. Por ora, a alta nos preços de petróleo (Brent a $77/barril enquanto escrevemos) não é forte o bastante para deslocar significativamente os cenários-base de inflação e crescimento, mas, evidentemente, o potencial para maiores disrupções está colocado. Do ponto de vista da política americana, é mais uma iniciativa pouco popular de um governo que enfrentará eleições parlamentares ainda este ano.
Obrigado,
Luciano Sobral, economista da Neo.
Acompanhe os relatórios de gestão da Neo: