Cartas do Gestor – Setembro 2026

Share on linkedin

Prezado(a)s amigo(a)s e investidore(a)s,

A volta de fortes altas nos preços de petróleo e derivados, somada ao endurecimento da postura do Federal Reserve com relação à inflação corrente, levou a uma grande deterioração nas condições financeiras globais em setembro. Esta deterioração ainda afetou pouco os mercados de ações e as perspectivas de crescimento, mas, se continuar, deve levar a esse resultado nos próximos meses.

Os mercados de energia reagem à falta de perspectiva de paz no Oriente Médio e a disrupções em refinarias na Rússia e na Ásia. Apesar disso, é notável a resiliência das cadeias logísticas de óleo cru, que conseguiram rapidamente voltar a exportar do Golfo volumes do produto equivalentes aos de antes da guerra. Em março, projeções que levassem em conta um conflito se estendendo até os últimos meses do ano dariam conta de preços muito mais elevados e efeitos negativos na atividade global.

Nos mercados globais de juros, a decisão do FOMC de aumentar a taxa básica já em setembro e as palavras do seu presidente explicam, na nossa visão, boa parte do stress durante o mês. A precificação de mais altas de juros nos EUA é mais agressiva do que a de qualquer outro país que acompanhamos e lidera movimentos esperados mesmo em bancos centrais que não lidam, no momento, com inflação acima da meta. A alta dos juros longos reflete, com poucas exceções, mais expectativas de juros curtos altos do que um súbito aumento de percepção de risco fiscal.

Os juros mais altos e as expectativas de crescimento ainda forte nos EUA forneceram o pano de fundo para a valorização mais forte do dólar neste ano. Enquanto esses dois pilares não forem abalados, esta deve ser a tendência, que desfavorece ativos de outros países.

A alta das intenções de voto em Flávio Bolsonaro nas pesquisas foi suficiente para que os ativos brasileiros se destacassem mesmo nesse ambiente desafiador. O real foi a única moeda de emergente que seguimos que não se desvalorizou no mês, e os juros locais caíram mesmo ante a alta de mais de 50bp nas taxas longas americanas. Evidentemente, o teste dessa resiliência é o resultado das urnas. Seguimos vendo uma eleição apertada demais para justificar apostas direcionais.

Obrigado,

Luciano Sobral, economista da Neo.

 

Acompanhe os relatórios de gestão da Neo:

Neo Multimercado 30

Neo Provectus I

Neo Argo Long & Short