Prezado(a)s amigo(a)s e investidore(a)s,
Durante agosto, os juros locais da maioria dos países que acompanhamos continuaram subindo, com as taxas longas de vários países desenvolvidos testando os maiores níveis em muitos anos. Além das fragilidades fiscais, tão conhecidas que já se tornaram quase crônicas, contribuíram para esse movimento os preços elevados de petróleo e derivados e, quase no final do mês, o discurso de Kevin Warsh no simpósio de Jackson Hole.
O conflito no Oriente Médio tem evoluído para uma “guerra morna”, na qual uma solução diplomática parece distante (diante do impasse entre objetivos pouco claros para os Estados Unidos e a pouca disposição do Irã de abrir mão do controle do estreito de Hormuz) e, ao mesmo tempo, não parece haver disposição de qualquer parte para aprofundar as ações militares. Esse equilíbrio instável tem implicado uma limitação da oferta de hidrocarbonetos que leva o petróleo (Brent) a operar ao redor de US$90/barril e mantém prêmios elevados para o refino. Além disso, seguem no ar os riscos de preços muito mais altos para outras fontes de energia, como o gás natural.
Warsh, por sua vez, recolocou na mesa a possibilidade de altas nos juros básicos já em setembro, minimizando a evolução recente de alguns indicadores de preços, qualificando as condições financeiras atuais como frouxas e reafirmando o foco em trazer a inflação de volta a 2%. Seguimos acreditando que a trajetória da inflação será compatível com os Fed Funds ao redor dos patamares atuais, mas mesmo ruídos na direção oposta podem levar a um cenário de uma ou duas altas ainda este ano.
No Brasil, tivemos as primeiras movimentações relevantes nos números de pesquisas eleitorais desde meados de maio, com as simulações de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro voltando a um empate numérico e a súbita ascensão do candidato Augusto Cury nas intenções de voto no primeiro turno. Reiteramos que vemos a corrida como aberta até a data da votação, com um possível esforço adicional do PT para fazer uma campanha mais agressiva nas próximas semanas e tentar evitar um segundo turno que agora lhes parece mais desfavorável.
O risco eleitoral segue se manifestando de forma mais clara na taxa de câmbio, com o real se desvalorizando contra outras moedas emergentes. No mercado de juros, o foco parece estar se deslocando da inflação para sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica, embora a dinâmica de curto prazo dificilmente se dissociará das eleições.
Obrigado,
Luciano Sobral, economista da Neo.
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