Prezado(a)s amigo(a)s e investidore(a)s,
O preço do petróleo, que vinha em queda desde maio, mostrou-se o melhor indicador para antecipar o desenrolar do conflito no Oriente Médio. O Memorando de Islamabad, anunciado no último dia 12, ajudou a ancorar um esfriamento mais duradouro dos ataques, criou condições para a reabertura do Estreito de Hormuz e, consequentemente, para a retomada da oferta global de hidrocarbonetos.
A velocidade da queda do petróleo, que já opera perto dos preços do fim de fevereiro, foi uma surpresa bem-vinda para a economia global e uma evidência de que os fundamentos (balanço entre oferta e demanda) apontam para um período de preços relativamente baixos. Se a paz no Golfo for confirmada, voltaremos a um cenário não muito diferente do que se esperava no início deste ano.
Apesar dessa redução relevante nas pressões inflacionárias, os juros futuros na maioria dos países que acompanhamos não voltaram aos patamares anteriores à guerra. Além das dinâmicas locais, a reprecificação das taxas americanas pode explicar essa conjuntura.
A estreia de Kevin Warsh como presidente do Fed deixou em aberto a possibilidade de o próximo movimento ser de aperto monetário, endossando, ao menos temporariamente, os preços do mercado futuro. Warsh enfatizou o compromisso do banco de devolver a inflação à meta de 2% ao ano e confirmou sua preferência por menos transparência na comunicação, o que implica maior volatilidade potencial dos juros curtos.
Independentemente das mudanças no Fed, o mercado de trabalho americano tem mostrado sinais iniciais de reaquecimento, sobretudo na abertura de vagas e nas contratações líquidas. A confirmação desse reaquecimento e sua transmissão para a taxa de desemprego e os indicadores de remuneração devem ser os principais determinantes dos próximos passos da política monetária, já que devem ocorrer antes que um eventual cenário mais benigno para a inflação se materialize. Os demais indicadores da economia não mostram sinais de superaquecimento, e não há um cronograma de estímulos relevantes nos próximos meses, o que nos leva a acreditar que os riscos são mais equilibrados do que sugere a precificação de mercado — que, de qualquer maneira, não é excessiva. O que parece ter sido descartado, ao menos no curto prazo, é o ambiente de volta aos cortes de juros que prevaleceu até março.
No Brasil, a reunião do Copom de junho também foi bastante consequente, com o Banco Central estendendo o horizonte habitual das projeções de inflação para justificar o corte de juros. Ao longo do mês, a queda do petróleo e uma ligeira melhora nos números de inflação corrente endossaram um cenário de Selic ligeiramente mais baixa no curto prazo. Porém, com a aproximação das eleições e o aparente início de um período de dólar global mais forte, projetamos uma depreciação adicional do real até o fim do ano, o que inviabilizaria a continuidade desse ciclo gradual. Os próximos grandes movimentos da Selic no Brasil, na nossa visão, devem ocorrer após a definição da corrida eleitoral, quando tivermos mais visibilidade sobre a política econômica a ser adotada de 2027 em diante.
Sobre as eleições, descontadas as intrigas de bastidores, não tivemos novidades em junho. As pesquisas seguem desenhando uma eleição indefinida, com Lula como leve favorito e Flávio Bolsonaro forte o suficiente para não justificar uma busca mais séria por alternativas na direita. Até o começo da campanha oficial, em agosto, novos vazamentos de investigações poderão mudar esse cenário.
Obrigado,
Luciano Sobral, economista da Neo.
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